Análise de políticas públicas federais e estaduais em educação ambiental no Brasil

Responsável – CARLOS FREDERICO BERNARDO LOUREIRO

Esse projeto de pesquisa busca compreender quais são os sentidos em disputa e quais são as diretrizes e prioridades estratégicas de ação definidas nas políticas públicas de educação ambiental federais e no estado do Rio de Janeiro, enfocando as voltadas para o sistema educacional em si e suas interfaces com a gestão ambiental pública (licenciamento, unidades de conservação e gestão de águas). São objetivos da pesquisa: Compreender a dinâmica de constituição de políticas públicas de educação ambiental federais e estaduais, os sentidos em disputa, e as prioridades de ação e diretrizes assumidas em tais documentos, primordialmente as voltadas para o sistema educacional e aquelas que estabelecem as interfaces entre este e a gestão ambiental pública; analisar como o processo de institucionalização das políticas públicas em educação ambiental tem afetado a prática e o cotidiano dos projetos e ações governamentais, principalmente no universo escolar e de formação; fornecer subsídios teóricos ao debate instaurado no processo de implementação de políticas públicas federais e estaduais.

Catástrofes ambientais: Vulnerabilidade e reconstrução socioambiental

Responsável – MARTA DE ARAUJO PINHEIRO

Este projeto pretende responder a duas preocupações iniciais decorrentes da introdução das noções de resiliência e adaptação nas ciências sociais e nas políticas internacionais para prevenção de desastres (Hyogo e Sendai) e de intervenção em situações pós-catátrofes. A primeira é teórica e levanta as seguintes questões: como a “adaptação” e a “resiliência” se tornam atualmente as principais expressões nas situações pós-catástrofes? Como elas indicam mutações dos modos pelos quais uma catástrofe persiste, dilui-se e transforma-se na vida da coletividade? Elas interferem hoje na construção da memória social dos afetados? Como pensar a “vulnerabilidade social” e o sofrimento social nesse novo quadro teórico sem cair numa abordagem da “vitimização” ou do “esquecimento”? Após uma catástrofe, é possível sermos alguém além de “vulnerável”, “vítima”, “atingido”, “resiliente”? A segunda possui um caráter mais empírico: identificar em comunidades atingidas como essas transformações mais gerais atravessam ou não o sentido atribuído às “catástrofes naturais” e às práticas dos atores envolvidos, enquanto cidadãos e vítimas nos processos de reconstrução, isto é, nas situações pós-catástrofes. Para mostrarmos esses dois lados, a sua complexidade e a sua riqueza, examinamos dois eixos que caracterizam nosso ponto de vista sobre o “cidadão-vítima”: o discurso e a ação. Nesses dois casos, perguntamos como a vítima pode falar e agir rastreando os padrões de palavra e de ação procurando na vida social contemporânea uma subjetivação associada à figura do “atingido” no “mundo das vítimas”, tendo como estudo de caso comunidades atingidas por desastres ambientais. Visando responder a essas preocupações da pesquisa, pretendemos investigar o discurso da mídia sobre os afetados de desastres naturais, como também aquele proveniente dos diretamente atingidos por meio de depoimentos, entrevistas, registros visuais e abordagens de inspiração etnográfica nos territórios ós-catástrofes, tanto localizados geograficamente quanto constituídos por meio de dispositivos digitais. A pesquisa dará ênfase à observação participante, às entrevistas em profundidade e à análise dos discursos.

Desenvolvimento sustentável e governança mundial

Responsável – TANIA MARIA DE FREITAS BARROS MACIEL

Nesse projeto desenvolvemos um trabalho de pesquisa e intercâmbio com outros pesquisadores, com o objetivo de aprofundar os conceitos de desenvolvimento sustentável e ecologia, nas suas dimensões correlatas com as questões de governança mundial, dentro das perspectivas de Ciências Humanas e Sociais.

Ecoturismo e cultura: construindo roteiros inclusivos nos parques no Estado do Rio de Janeiro

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

O projeto objetiva mapear, participativamente, o patrimônio (natural e cultural) no interior e entorno dos parques nacionais da Tijuca (PNT) e Serra dos Órgãos (PARNASO), e delinear roteiros ecoturísticos criativos e inclusivos nestas áreas. Este projeto constitui assim um esforço de pesquisa, em continuidade a um processo iniciado em 2005 e que vem recebendo o apoio da FAPERJ desde 2007, e busca fortalecer a pesquisa qualificada e articulada em turismo inclusivo e sustentável no Rio de Janeiro. O projeto busca, então, a construção de conhecimento sobre o tema, a partir da reflexão coletiva (envolvendo pesquisadores de diferentes instituições do Estado, interlocuções da gestão pública e, também, das lideranças locais), centrada na busca por uma outra forma de desenvolvimento turístico e ético, que além de viabilizar o processo de conservação da biodiversidade, reconheça, também, a importância do patrimônio cultural local, além do compromisso de melhoria de qualidade de vida e o protagonismo social, em sintonia com as Metas do Milênio da ONU (ONU, 2000), e os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) em fase de negociação no plano das Nações Unidas. FAPERJ Edital E 11/2014 – Apoio ao Estudo de soluções para Problemas relativos ao meio ambiente – Processo E-26/010.001513

Mundos sociais e materiais: compromissos humano-ambientais

Responsável – MARTA DE ARAUJO PINHEIRO

Na transição socioambiental contemporânea, esta pesquisa se interessa por certo momento ou condição de novos modos de viver socioambientais associados à produção de subjetividades que podem deles emergir. Esses momentos, ou aquelas condições, em que um projeto social não é nem algo nem nada. Essa oscilação indeterminada – o espaço virtual que se abre entre a potencialidade e a realidade – que Foucault apresentou como heterotopia. A pesquisa se justifica quando qualidades dinâmicas e emergentes das relações homem-ambiente exigem que se pense além da adaptação em ambientes estáveis, e que se documente e teorize o surgimento de mundos sociais e materiais através de compromissos humano-ambientais em uma variedade de lugares vagamente conectados. Como campo empírico, identificação e observação de práticas “pré-figurativas” de novas formas de organizações sócio-ecológicas, análise dos tipos de comunidades que podem emergir e suas formas de mobilização. Ênfase à observação participante, às entrevistas em profundidade e à análise dos discursos espontâneos dos informantes.

Observatório de Pesquisa II: Governança, Biodiversidade, Áreas Protegidas e Políticas Públicas

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

Este projeto busca dar continuidade ao projeto de pesquisa Observatório de Governança, Biodiversidade, Áreas Protegidas e Inclusão Social, e objetiva avaliar, criticamente e à luz da Agenda 2030, os processos de construção de governança relacionados à gestão da biodiversidade, a partir da leitura dos marcos legais e institucionais e políticas públicas, nos âmbitos internacional e nacional e da discussão de temas centrais contemporâneos vinculados, com este enfoque. Para tal, o projeto parte da discussão teórica da relação sociedade e natureza, para abordar as subjetividades envolvidas no processo e de que forma estas se expressam em uma perspectiva sociopolítica, na contemporaneidade. A partir desta abordagem, são estudados os marcos legais e institucionais que orientam este tema e influenciam a concepção de políticas públicas de proteção da natureza, em seus aspectos estratégicos de governança e inclusão social. Este projeto se desenvolve a partir do olhar crítico sobre a Agenda 2030 em suas interfaces com a Convenção da Diversidade Biológica e a Convenção de Mudanças Climáticas, principais diretrizes internacionais para o setor, para então abordar, em maior detalhamento, as políticas públicas nacionais com este enfoque e os desafios para a construção de governança democrática para a gestão da biodiversidade. No plano teórico, o projeto busca também compreender de que forma o imaginário sobre natureza se constrói nas políticas públicas, a partir da interpretação do consumo verde e do marketing ambiental. Esta leitura orienta a pesquisa empírica sobre as áreas protegidas e seus sistemas de gestão. Em um primeiro momento, o foco da pesquisa é dirigido às Unidades de Conservação do Estado do Rio de Janeiro para, progressivamente, avançar no plano nacional. O projeto busca também apoiar a construção e teste de ferramentas para a gestão participativa de Unidades de Conservação. Este objetivo está centrado no denominado “Projeto SIMPARC Fase 2”, em desenvolvimento a partir da cooperação internacional com o Laboratório de Informática de Paris (LIP 6). Este projeto envolve pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento.

Políticas Públicas de Turismo e Conservação da Biodiversidade: desafios para a internalização da CDB em planejamento turístico

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

O turismo representa um fenômeno contemporâneo associado a uma complexa dinâmica de dimensões econômicas, sociais, ambientais, éticas, políticas e simbólicas. E, sendo assim, para a sua interpretação, se pressupõe uma leitura teórica multidimensional e, por consequência interdisciplinar, mediada por uma perspectiva política crítica. Esta afirmação adquire ainda maior relevância em países como o Brasil, caracterizados por sua condição de megadiversidade biológica e significativa diversidade sociocultural, mas também associados a uma condição marcante de desigualdade social. Mas apesar disso, as políticas públicas de turismo são predominantemente desenvolvidas pela lógica de mercado ou por um viés econômico que tendem a mascarar algumas questões essenciais em planejamento, como os seus efeitos ou as suas potencialidades para o desenvolvimento de um país plural. Além disso, as políticas públicas no caso brasileiro são fragmentadas e pouco dialogam e, as pesquisas acadêmicas sobre o tema são ainda limitadas para interpretar o processo em suas inúmeras nuances e possibilidades teóricas e aplicadas. Com base nestes antecedentes, o presente projeto de pesquisa objetiva contribuir para esta reflexão e investigar, segundo uma perspectiva crítica de análise, os desafios para a internalização dos compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção sobre Diversidade Biológica nas políticas públicas de turismo no Brasil considerando, também, um exercício de projeção de cenários segundo as tendências globais. O recorte temporal para a análise proposta, envolve o período de 1992 (quando a CDB foi assinada) a 2016 (um ano após o estabelecimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas). No plano metodológico, esta proposta foi delineada como uma pesquisa qualitativa, ancorada no campo das ciências sociais aplicadas e se orienta por levantamento e análise bibliográfica e documental, complementados por entrevistas semiestruturadas dirigidas.

Políticas Públicas de Turismo no Rio de Janeiro: análise crítica, desafios e projeção de cenários para a internalização dos compromissos da Convenção sobre Diversidade

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

O turismo representa um fenômeno contemporâneo associado a uma complexa dinâmica que envolve dimensões econômicas, sociais, ambientais, éticas, políticas e simbólicas e, sendo assim, a sua interpretação pressupõe uma leitura teórica multidimensional e, por consequência interdisciplinar, mediada por uma perspectiva política crítica, especialmente no caso do Estado do Rio de Janeiro, ícone em biodiversidade e também o portal emblemático para o turismo no país. No entanto, as políticas públicas de turismo são predominantemente desenvolvidas pela lógica de mercado ou por um viés econômico que tende a mascarar algumas questões essenciais em planejamento, como as salvaguardas para a conservação da biodiversidade ou para o compromisso de inclusão social. Além disso, as políticas públicas no caso brasileiro são fragmentadas e pouco dialogam e, as pesquisas acadêmicas sobre o tema são ainda limitadas para interpretar o processo em suas inúmeras nuances, em possibilidades teóricas e aplicadas. Com base nesses antecedentes, o presente projeto de pesquisa objetiva investigar, segundo uma perspectiva crítica de análise, o contexto atual e os desafios para a integração dos compromissos assumidos pelo país no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica às políticas públicas de turismo no Estado do Rio de Janeiro, considerando o horizonte da Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), tendo como foco prioritário, as unidades de conservação. O recorte temporal da pesquisa envolve o período de 1992 (quando a CDB foi assinada) a 2020, cinco anos após a pactuação da Agenda 2030. No plano metodológico, esta proposta foi delineada como uma pesquisa qualitativa, ancorada no campo das ciências sociais aplicadas e se orienta por levantamento e análise bibliográfica e documental, complementados por entrevistas semiestruturadas dirigidas prioritariamente aos atores chave da academia e da gestão pública do Estado do Rio de Janeiro.

Processos Participativos para a Inclusão Social no Parque Nacional da Tijuca turístico

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

A presente pesquisa busca desenvolver uma investigação sobre a situação socioambiental nas favelas do Guararapes, Cerro-Corá, Vila Cândido e Prazeres, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e suas relações de educação socioambiental no contexto do Parque Nacional da Tijuca (PNT). As atividades da pesquisa são orientadas por um processo participativo de mobilização, formação e de interação dialógica. As etapas metodológicas pretendem, assim, elaborar um Diagnóstico Socioambiental Participativo e, ao mesmo tempo, promover a mobilização das comunidades, de acordo com as suas próprias demandas locais, para a sua adesão futura aos projetos e programas a serem desenvolvidos em parceria com o Parque Nacional da Tijuca. Dessa forma, este projeto é uma possibilidade de se ampliar as oportunidades de ações de pesquisa, ensino e extensão, por meio do Programa OBSAPIS, no Parque Nacional da Tijuca, envolvendo o saber local de moradores do seu entorno em articulação com a UFRJ. Assim, espera-se promover o diálogo entre a academia, o movimento social e a gestão pública, e uma oportunidade para a pesquisa em Psicologia Social e Psicossociologia em uma das questões mais estratégicas da gestão ambiental na atualidade: a construção de estratégias de conservação da biodiversidade vinculadas ao compromisso da inclusão social e econômica de populações vulneráveis. Assim, o projeto busca resgatar o papel social da universidade e contribuir para uma postura ética e cidadã da população da cidade do Rio de Janeiro, oferecendo oportunidades de aprendizado conjunto dos alunos da UFRJ/Programa EICOS de Pós Graduação e das lideranças comunitárias do entorno do PNT, sendo essa uma área protegida ícone para a conservação da biodiversidade e para o turismo no Rio de Janeiro.

Psicossociologia do Turismo, Subjetividades e Sustentabilidade (Estrela-Verde) II

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

Este projeto busca dar continuidade ao projeto de pesquisa Turismo e Sustentabilidade Estrela-Verde I à luz da Agenda 2030. O projeto tem o objetivo de estudar criticamente o turismo, a partir de novas epistemologias, problematizando a noção de sustentabilidade em suas interfaces com o fenômeno turístico, considerando as subjetividades envolvidas e os compromissos de qualidade ambiental e inclusão social. O projeto se desenvolve com base na discussão teórica sobre o turismo, como fenômeno complexo contemporâneo e suas implicações na construção, formulação e avaliação de políticas públicas para o setor, em interface com as políticas sociais e ambientais. O projeto tem apoio no estudo das diretrizes e acordos internacionais, principalmente vinculados à OMT, à Convenção da Diversidade Biológica e à Convenção sobre a Diversidade Cultural da UNESCO, para então se desdobrar, no plano aplicado, à análise de políticas públicas e projetos de turismo, em suas interfaces com as políticas públicas de proteção da natureza, com ênfase nas áreas protegidas e nas perspectivas cultural e de inclusão social. Esta reflexão envolve também o tema do turismo de base comunitária e do ecoturismo como alternativas de mudanças de paradigma para o setor. Tal projeto se efetiva com a parceria central do CEFET-RJ, da UFPA e da UFRRJ, e diversas outras instituições nacionais e internacionais, através da Rede de Turismo, Áreas Protegidas e Inclusão Social, iniciada pelo Grupo de Pesquisa em 2006 e ativa até o momento.

Rizoma Verde. Consumo verde, marketing ambiental e responsabilidade socioambiental

Responsável – FREDERICO AUGUSTO TAVARES JUNIOR

O grupo de pesquisa intitulado Rizoma verde , cadastrado na plataforma Sigma da UFRJ, está vinculado à Escola de Comunicação com a finalidade de discutir os temas relacionados ao marketing ecológico, ao consumo verde e à responsabilidade socioambiental, visando à integração e participação dos alunos e professores do curso de Comunicação Social nos processos de investigação e produção de conhecimento científico e acadêmico. Outrossim, esse grupo também está ligado à linha 1 (Comunidades, Desenvolvimento, Meio Ambiente e Inclusão Social) do Programa de pós-graduação Eicos, do Instituto de Psicologia da UFRJ, com o propósito de atuar de forma interdisciplinar no campo das ciências sociais aplicadas, através das questões estratégicas voltadas à sustentabilidade, na interface entre a Psicologia Social , Comunicação e Administração/ Economia. O grupo de pesquisa em questão tem como objetivo principal indagar e discutir as questões contemporâneas acerca das novas relações entre sociedade e natureza, através da temática do marketing ecológico e de seus desdobramentos no campo do consumo, assim como refletir o olhar da responsabilidade socioambiental na esfera ecopolítica dos contextos público e privado. Para tanto, tendo em vista a produção de conhecimento, as bases de investigação estão vinculadas às áreas da Psicossociologia, Comunicação Social e Gestão Organizacional, segundo a perspectiva interdisciplinar.

SimParc – Fase 2: SAVA

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

SimParc (Simulation participative de la gestion de Parcs) é um projeto de pesquisa interdisciplinar de cooperação internacional entre França e Brasil. O objetivo do projeto é a definição e a avaliação de uma metodologia de acompanhamento para a gestão participativa de áreas protegidas, tendo como inspiração o compromisso de conservação da biodiversidade e inclusão social. O Projeto visa desenvolver tecnologia social para a gestão participativa da biodiversidade, a partir da utilização de informática, com base em jogos de papeis distribuídos, suporte para a negociação e modelização e simulação da dinâmica socioambiental. O Projeto se desenvolve no âmbito da parceria entre o Laboratório de Informática de Paris 6 (LIP6/Paris 6) e os Programas de Pós-graduação EICOS de Psicossociologia e Ecologia Social/IP e Políticas Públicas e Estratégias em Desenvolvimento (PPED)/IE da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sustentabilidade, Governança, Práticas Sociais e Políticas Públicas: Uma análise integrada à luz dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Responsável – MARTA DE AZEVEDO IRVING

O campo da sustentabilidade constitui um terreno interdisciplinar complexo e plural por pressuposto e está associado a um debate teórico controverso e também pulsante, entre ideologias e percepções de mundo distintas. Implica uma reflexão crítica sobre o modo de funcionamento da sociedade contemporânea e pressupõe também um posicionamento político e ideológico. Nesse sentido, se busca por este projeto de pesquisa desenvolver uma reflexão crítica sobre o tema. A reflexão sobre sustentabilidade está impressa, irreversivelmente, na dinâmica contemporânea. E, como afirma Pierron (2009), a noção de desenvolvimento sustentável (em seus evidentes desdobramentos no debate sobre sustentabilidade), no século XXI, equivale ao que representou o Iluminismo no século XVIII ou o progresso na Revolução Industrial. Segundo ele, se vivencia na contemporaneidade o desafio de se articular, uma vez mais, natureza e história. E, segundo este filósofo francês, apesar de todas as controvérsias envolvidas no debate, esta noção pode ser entendida como a saída da humanidade para um modo de desenvolvimento tecnológico alienante, sobre o qual ela é responsável. Este representa assim, um tema estratégico em políticas públicas. E, neste caso, a análise de políticas públicas envolve a interpretação de uma complexa dinâmica de dimensões econômicas, sociais, ambientais éticas e simbólicas, principalmente no caso de países em desenvolvimento como o Brasil. Este movimento implica em uma leitura teórica multidimensional e, por consequência interdisciplinar, mediada por uma perspectiva política crítica. Esta afirmação adquire ainda maior relevância em países como o Brasil, caracterizados por sua condição de mega diversidade biológica e significativa diversidade sociocultural mas, também, associados a uma condição marcante de desigualdade social. O debate teórico sobre sustentabilidade e seus desdobramentos aplicados às de políticas públicas está, portanto, no caso brasileiro, intrinsecamente associado às estratégias de proteção da natureza/conservação da biodiversidade, em suas interfaces com a cultura e com as ações de desenvolvimento, segundo uma perspectiva histórica mas também de projeção de cenários, em um contexto globalizado. Mas apesar disso, as políticas públicas de proteção da natureza são ainda interpretadas pelo viés da ideologia do wilderness e, as de cultura e desenvolvimento (entre as quais, aquelas dirigidas ao turismo), apesar das inúmeras controvérsias que o tema envolve, são predominantemente orientadas pela lógica de mercado ou por um viés econômico que tende a mascarar algumas questões essenciais em planejamento, como os seus efeitos ou as suas potencialidades para o desenvolvimento de um país plural. Além disso, as políticas públicas no caso brasileiro são fragmentadas e pouco dialogam e, as pesquisas acadêmicas sobre o tema são ainda limitadas para interpretar o processo em suas inúmeras nuances e possibilidades teóricas e aplicadas. Com base nestes antecedentes, o presente projeto de pesquisa objetiva contribuir para esta reflexão, a partir de uma leitura multidimensional e ética sobre o tema da sustentabilidade e investigar, segundo uma perspectiva crítica de análise, os desafios para a internalização dos compromissos assumidos, pelo Brasil, no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica e da Convenção da Diversidade Cultural, em suas conexões com as políticas de desenvolvimento, considerando, também, um exercício de projeção de cenários segundo as tendências globais. O recorte temporal para a análise proposta, envolve o período de 1992 (quando a CDB foi assinada) a 2018 (três anos após o estabelecimento do Acordo de Paris e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável / Agenda 2030 das Nações Unidas). No plano metodológico, esta proposta foi delineada como uma pesquisa qualitativa, ancorada no campo das ciências sociais aplicadas e se orienta por levantamento e análise bibliográfica e documental, complementados por entrevistas semi-estruturadas dirigidas prioritariamente aos atores chave da gestão pública e da academia e, em alguns casos, do movimento social, no contexto brasileiro.